...Luz, câmera e ação não se aplicam aqui, vamos combinar. Com um roteiro eficiente, seus integrantes vêm escrevendo um capítulo atrás do outro até chegar aqui. O filme, rodado quadro a quadro com absoluta precisão nesses caminhos e descaminhos do rock, começa a ser exibido agora. O cenário está pronto para o Cena1.. Depois de ter participado de festivais importantes no cenário musical Brasileiro como o Festival de Alegre e o Festival de Colatina onde ganharam o premio "Povo"... LÉO JACK (guitarra,violão e vocal), FRODO (guitarra), RAFAEL MAGRO (baixo), AZZI (guitarra solo e backing vocal) e DEMARCO (bateria e backing vocal) botaram o rock no foco, subiram na grua e amplificaram um punhado de influências em seu projetor: anos 80, violões baladeiros, rock rasgado, solos de guitarra, riffs pontudos e punk rock importado do Overdrive, banda que é parte da trajetória que desembocou aqui. Em canções, atropeladas por uma sinceridade incomum, despeitadas de modismos, tendências ou do som do momento, a Banda Cena 1 desliga a tomada do som do amanhã, geralmente adornado impunemente por badulaques eletrônicos, preferindo protagonizar uma sequência plugada no passado. Nos sons com os quais seus integrantes cresceram ouvindo, nota a nota. .. Letras romanceadas como "A rosa", esta abalroada por uma pegada de ska-reggae, baixo galopante e solo de guitarra que, diferentemente do que diria Paula Toller, vão conquistar. Texturas e cores de violões suaves, de intro entrecortada por guitarra dedilhada, como os empregados em "Ampulheta", parecem customizadas para o que vem a seguir, um crescendo de bases pesadas e viajando para frente e para trás da canção... A escolha da Banda Cena 1 é por um formato pintado de cores sóbrias. O punk gringo acaba talhado de tratativas brasileiras, acusticamente poderoso, caso de "Sexta-feira"... Os caras do Cena 1 mudaram de formação, mexeram no som, quase penduraram suas guitarras diante de tantas dificuldades, puseram fé na volta e agora, rodando o filme de trás para a frente, vê-se, para eles e para nós, que valeu a pena...

Mario Marques